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Sistema respiratório e qualidade de vida


O principal fator responsável pelas moléstias do sistema respiratório é o tabagismo. “Pessoas que fumam têm chance muito maior de desenvolver todas as doenças respiratórias. Quando diagnosticadas e não abandonam o fumo, o tratamento e tende a ser mais difícil, contribuindo para a progressão do problema”, informa o pneumologista Frederico Fernandes, Diretor de Assuntos Científicos da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT). Outros fatores são a presença de alérgenos no ambiente, poluição, queima de substâncias tóxicas, além da predisposição genética.

Nas vias aéreas superiores, que vão do nariz até a laringe onde ficam as cordas vocais, as principais doenças são a sinusite e a rinite. Os brônquios e pulmões são acometidos pela asma,  doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), que compreende a bronquite e enfisema pulmonar, doenças infecciosas como a tuberculose e a pneumonia, outras infecções causadas por bactérias e que podem levar a morte se não tratada e o câncer de pulmão.

Como o tabaco age no sistema respiratório?

A fumaça que o cigarro deposita no pulmão contém mais de 4,7 mil substâncias tóxicas - muitas delas cancerígenas. Por isso, o tabagismo é considerado a principal causa de morte evitável pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O tabaco pode agir nos brônquios, inflamando-os e destruindo a camada que os mantém abertos. Começam as queixas de falta de ar, tosse com catarro constante e intolerância a atividades físicas. Além disso, há radicais livres que “destroem as membranas das células do sistema respiratório e podem alterar o nosso DNA, levando ao desenvolvimento de câncer, sendo o principal o de pulmão”, explica Fernandes.

Por isso, para proteger-se é essencial não fumar e evitar o contato com fumantes. “As pessoas que não fumam, mas convivem com tabagista na casa ou no trabalho, têm uma chance 20% a 30% maior de desenvolver câncer de pulmão do que uma pessoa que não convive com fumante”, destaca o especialista.

Câncer de pulmão

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), é um dos tumores malignos mais comuns e sua incidência cresce 2% ao ano. Em 90% dos casos, está associado ao consumo de derivados do tabaco.

Dr. Frederico ressalta que é altamente fatal. “É muito difícil o paciente conseguir identificar a tempo de um tratamento resolutivo. Isso acontece porque o câncer apresenta pouquíssimos sintomas, por localizar-se no pulmão, área livre de nervos, e, logo, ser imperceptível o crescimento. Só se torna sintomático quando começa a prejudicar o funcionamento de algum brônquio, provocando tosse com sangue. Outro sinal é quando gera metástases, espalhando-se pelo organismo”, alerta o especialista.

Quando detectado precocemente, seu tratamento consiste em retirar o tumor por completo. Não existindo tal possibilidade, utiliza-se quimioterapia e radioterapia.

Proteja-se!

Evitar a exposição à fumaça de combustíveis fósseis, de substâncias tóxicas e de biomassa é importante para proteger o sistema respiratório. No que diz respeito às infecções pulmonares, pessoas do grupo de risco - idosos e pacientes com histórico de doenças respiratórias - devem vacinar-se todos os anos contra a gripe e, pelo menos uma vez, contra a pneumonia.

“O sistema respiratório concede ar ao nosso corpo e faz com que nosso organismo funcione adequadamente. Sem isso, não é possível realizar as atividades do dia a dia sem sentir, pelo menos, um desconforto, como falta de ar. Para preservar a boa qualidade de vida, é fundamental preservar a saúde pulmonar e respiratória”, conclui o pneumologista Frederico Fernandes.


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