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O recém-formado e a
qualidade da Medicina no país

Entre as expectativas daqueles que ingressam nas faculdades de medicina no Estado de São Paulo e a qualidade da formação obtida, após 6 longos anos de cursos, há um resultado decepcionante para mais de 50% dos recém-formados. Isso porque a maior parte das instituições de ensino médicos não oferece estrutura adequada, não conta com hospital-escola para treinamento, não tem professores com capacitação pedagógica, entre outros problemas.

Alguns poderiam pensar que o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo exagera quando destaca a relevância dessa questão. Salientaremos então os números do último Exame do CREMESP quando dos 2.891 inscritos de São Paulo, 55% (1.589) tiveram média de acerto inferior a 60% do conteúdo. Ressalve-se que o exame é composto de questões fáceis ou medianas pela análise psicométrica clássica (Índice de Facilidade e Discriminação) e teoria da resposta ao item (TRI).  Ousamos afirmar que o cenário descrito não deve ser diferente nos outros estados da federal, já que em 468 novos médicos, a reprovação foi de 63,2%!

Diante desse fato, o Cremesp considera imprescindível, a realização de um exame terminal, realizado por entidade externa às escolas onde se graduam os recém-formados. Infelizmente no Brasil não é necessária a realização da obrigatoriedade da Residência Médica, já que a lei 3.099/1957, que regulamenta o exercício profissional, permite ao recém-formado exercer plenamente a medicina em qualquer área, mesmo que não tenha especialização. Para isso, basta a obtenção da carteira de médico perante o Conselho Regional de Medicina.

Felizmente já são passados os anos em que o Exame do Cremesp enfrentava objeções corporativas, para não dizer anacrônicas, de alguns professores, alunos e mesmo alguns dirigentes de entidades médicas.

O tempo provou, no entanto, que o Cremesp estava correto quando levantou a questão da má-formação médica e pautou, nacionalmente, a discussão sobre a necessidade de não apenas atualizar os currículos e as certificações das escolas médicas, mas também enfrentar o problema da avaliação dos egressos ou recém-formados.

O aumento das denúncias de má prática, de incompetência ou negligência tem relação direta com a formação inadequada. Esta última, ao lado da falta de consciência social e formação humanística, tem feito a derrocada do indiscutível prestígio que a Medicina e os médicos sempre desfrutaram.

Lamentavelmente, o CREMESP ainda não tem o poder legal para impedir que indivíduos, mesmo incompetentes, adentrem à prática médica e ponham em arrisco a saúde dos pacientes. Isso dependeria de lei aprovada pelo Congresso Nacional. E todos conhecemos o poder econômico dos lobbies das escolas privadas. Não ficaremos, entretanto, de braço cruzados!

Finalizando, envidaremos esforços para que em futuro próximo o mercado de trabalho e os pacientes exijam que, no mínimo, o médico recém-formado tenha sido aprovado no Exame do Cremesp.  Ou as planilhas e processos, já que que existem exames de qualificação para contadores e advogados, são mais importantes do que a saúde e a vida?


Bráulio Luna Filho, presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo


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